
Juros altos e mais imóveis à venda
A expansão é impulsionada por juros em torno de 15% ao ano e pela pressão das instituições financeiras na recuperação de crédito. Os descontos podem chegar a 85% e, em casos pontuais, a 90% do valor de avaliação.
Segundo o advogado especialista em Direito Imobiliário Dr. Carlos Alberto Zonta Junior, o momento é favorável, mas não admite decisões impulsivas.
"O aumento da oferta é reflexo direto da conjuntura econômica e da consolidação da alienação fiduciária, que tornou a retomada de imóveis mais ágil para os bancos. Mas o desconto elevado não elimina os riscos jurídicos que podem comprometer a rentabilidade da operação."
Grandes instituições financeiras intensificaram a estratégia de liquidez por meio dos leilões. A Caixa Econômica Federal chegou a ofertar mais de 8 mil imóveis em um único mês no fim de 2025. O movimento mudou também o perfil do arrematante: hoje, cerca de 70% das aquisições são feitas por consumidores finais, que buscam moradia própria ou investimento de longo prazo.
Onde mora o risco
Para o especialista, é justamente nesse novo perfil que está a maior vulnerabilidade.
"Muitos compradores são atraídos pelo percentual de desconto, mas desconhecem que um imóvel ocupado pode exigir ação de imissão na posse, processo que pode levar de dois a seis meses, gerando custos adicionais e atrasando o uso do bem."
Outro ponto crítico envolve débitos e ônus vinculados ao imóvel. "Em leilões extrajudiciais, dívidas de IPTU e condomínio acompanham o bem e podem ser transferidas ao arrematante. Além disso, a matrícula precisa ser analisada com rigor para identificar penhoras, hipotecas ou restrições urbanísticas que limitem o uso da propriedade", destaca Zonta.
Arrematação como operação empresarial
O advogado reforça que a arrematação deve ser tratada com a mesma seriedade de uma operação empresarial:
"O sucesso não está no maior lance, mas no mais bem informado. É fundamental realizar due diligence completa, avaliar edital, situação processual, despesas com ITBI, registro e comissão do leiloeiro, que gira em torno de 5%, além de prever eventuais custos de desocupação ou reforma."
Para Zonta, o mercado de leilões se consolidou como alternativa estratégica, desde que conduzido com responsabilidade técnica. "Oportunidade e cautela precisam caminhar juntas. Com assessoria jurídica especializada e planejamento financeiro adequado, o desconto pode se transformar em patrimônio sólido e seguro", conclui.
Onde a matéria foi publicada
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