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Leilão de imóveis exige cautela: desconto alto não elimina os riscos jurídicos

O mercado de leilões imobiliários vive um dos momentos mais aquecidos dos últimos anos no Brasil. O crescimento da oferta atrai investidores e compradores, mas pode esconder armadilhas jurídicas capazes de transformar oportunidade em prejuízo.

Publicado em 8 de julho de 2026 3 min de leitura 401 palavras
Leilão de imóveis exige cautela: desconto alto não elimina os riscos jurídicos
8 de julho de 20263 min

Oferta em alta

Somente no primeiro semestre de 2025, mais de 116 mil imóveis foram ofertados em leilões judiciais e extrajudiciais, crescimento de 25,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. O avanço é impulsionado principalmente pelo aumento da inadimplência e pelos juros elevados, que pressionam o orçamento das famílias e elevam o número de retomadas de imóveis pelos bancos.

Os descontos podem chegar a 50% ou mais em comparação aos valores do mercado tradicional. Em Maringá, onde o mercado imobiliário segue aquecido, a procura por essas oportunidades tem crescido. Em 2025, a cidade foi apontada como a terceira com maior valorização imobiliária do Brasil e hoje soma quase 12 mil apartamentos em construção.

O maior lance não garante o bom negócio

Segundo o advogado imobiliário Carlos Alberto Zonta Junior, o principal erro dos compradores é acreditar que basta oferecer o maior lance.

"Muitas pessoas se encantam pelo preço anunciado e esquecem de realizar uma análise jurídica completa do imóvel. É fundamental verificar a matrícula, a existência de ações judiciais, débitos, ocupação e todas as condições previstas no edital. Um desconto elevado pode acabar saindo muito caro quando esses cuidados são ignorados."

Imóvel ocupado

Outro ponto que costuma gerar transtornos é a posse. Em muitos casos, o bem continua ocupado pelo antigo proprietário ou por terceiros, o que exige medidas judiciais para a desocupação. O processo pode levar meses e gerar custos que nem sempre entram na conta no momento da arrematação.

Leilão judicial e extrajudicial

Há diferenças importantes entre as modalidades. O leilão judicial tem origem em processos na Justiça; o extrajudicial geralmente decorre de contratos de alienação fiduciária. Cada um tem regras próprias, o que pede atenção redobrada para evitar surpresas.

"Os leilões podem representar excelentes oportunidades patrimoniais, mas devem ser encarados como operações jurídicas e não apenas comerciais. O apoio de um advogado especializado antes da arrematação é uma medida que reduz riscos e aumenta significativamente as chances de sucesso no investimento."

Com a tendência de juros em patamares elevados e o aumento das retomadas em todo o país, o volume de leilões deve continuar crescendo nos próximos meses, o que torna a orientação jurídica antes de qualquer lance ainda mais importante.

Onde a matéria foi publicada

Matéria com o Dr. Carlos Alberto Zonta Junior publicada em 63 veículos. A mesma notícia pode aparecer com título diferente em cada canal.

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